El Niño pode elevar temperaturas e provocar chuvas irregulares em Goiás até 2027
Projeções apontam possibilidade de calor acima da média e atraso na consolidação da estação chuvosa; agricultura, abastecimento de água e saúde estão entre os setores que podem ser afetados

O avanço do El Niño coloca Goiás em alerta para os próximos meses. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, deve ganhar intensidade e influenciar as temperaturas e o regime de chuvas no estado até o início de 2027.
Uma nota informativa elaborada por cinco Centros de Excelência de Goiás aponta para a possibilidade de temperaturas acima da média, precipitações irregulares e atraso na consolidação da estação chuvosa. As projeções indicam probabilidade de 70% a 90% de temperaturas superiores à média em grande parte do território goiano.
O cenário pode trazer impactos para diferentes setores, com atenção especial à disponibilidade de água, ao planejamento agrícola, ao risco de queimadas e à saúde da população.
O alerta também consta no quinto boletim do Painel El Niño, divulgado em 29 de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros órgãos federais. O documento aponta elevada probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte a partir de novembro de 2026.
Como o fenômeno pode afetar Goiás
Embora tenha origem no Oceano Pacífico, o El Niño interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva em diferentes regiões do planeta.
No Brasil Central, uma das preocupações é a possível redução do transporte de umidade da Amazônia, condição que pode favorecer períodos de estiagem durante a estação chuvosa, conhecidos como veranicos.
De acordo com os pesquisadores responsáveis pela nota sobre o fenômeno em Goiás, há maior possibilidade de chuvas abaixo da média entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027. A previsão não indica ausência de precipitações, mas aponta para uma distribuição irregular, com possibilidade de intervalos secos mais prolongados.
A combinação de calor persistente e baixa umidade também pode acelerar a perda de água do solo e aumentar a pressão sobre os recursos naturais.
Agricultura pode enfrentar dificuldades
O agronegócio está entre os setores que exigem maior atenção. A economia goiana tem forte participação da produção agrícola, que depende das condições climáticas para definir o calendário de plantio e colheita.
A irregularidade das chuvas pode interferir na semeadura da soja, principal cultura da primeira safra em diversas regiões do estado. Caso a estação chuvosa demore a se estabelecer, produtores poderão enfrentar dificuldades para cumprir o calendário agrícola.
O atraso no plantio também pode reduzir a janela disponível para culturas de segunda safra, como milho e sorgo. Já as temperaturas elevadas e os períodos prolongados sem chuva podem aumentar a necessidade de irrigação e pressionar os custos de produção.
Nesse contexto, o acompanhamento das previsões meteorológicas pode auxiliar no planejamento das atividades no campo.
Abastecimento de água e queimadas
A disponibilidade de água também está entre os pontos de preocupação. Com temperaturas mais altas e chuvas mal distribuídas, rios, nascentes e reservatórios podem enfrentar dificuldades para recuperar seus níveis.
O cenário exige atenção dos municípios e de setores que dependem dos recursos hídricos, como agricultura, indústria e geração de energia.
Outro risco está relacionado às queimadas. Mesmo com o retorno das chuvas, períodos secos intercalados com dias de calor intenso podem favorecer a ocorrência e a propagação de incêndios em áreas de vegetação nativa.
No Cerrado, a situação é especialmente relevante devido à importância do bioma para a manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade.
Calor pode afetar a saúde
As temperaturas acima da média também podem aumentar os riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Ondas de calor podem favorecer casos de desidratação, agravamento de problemas cardiovasculares e complicações respiratórias. A fumaça provocada por queimadas, por sua vez, pode comprometer a qualidade do ar e ampliar os problemas relacionados ao sistema respiratório.
Os pesquisadores recomendam que órgãos públicos integrem informações meteorológicas, ambientais e de saúde para antecipar possíveis impactos.
Histórico mostra variações entre eventos
Apesar dos alertas, os especialistas ressaltam que o El Niño não determina sozinho o comportamento do clima. Outros sistemas atmosféricos também influenciam a formação das chuvas e a distribuição das temperaturas.
O histórico de eventos anteriores demonstra essa variação. Durante o El Niño de 2015 e 2016, Goiás registrou uma primavera marcada por déficit de chuvas e temperaturas de 2°C a 3°C acima da média. Já no episódio de 1982 e 1983, o estado enfrentou um verão extremamente chuvoso.
Por isso, as projeções atuais devem ser interpretadas como cenários de risco, e não como uma garantia de que todos os impactos ocorrerão da mesma maneira em todas as regiões.
A recomendação é acompanhar os boletins meteorológicos e os alertas da Defesa Civil, além de adotar medidas preventivas diante de períodos de calor intenso, estiagem e possíveis incêndios.



