Contas públicas têm déficit de R$ 10 bilhões em agosto, aponta Banco Central
Resultado negativo do setor público consolidado foi menor que o registrado no mesmo mês de 2025; dívida bruta chegou a 82,9% do PIB

As contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O resultado considera União, estados, municípios e empresas estatais e representa uma melhora em relação ao déficit de R$ 17,3 bilhões registrado em agosto de 2025.
O resultado primário considera receitas e despesas do setor público sem incluir os gastos com juros da dívida.
Governo Central concentra resultado negativo
O Governo Central, formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, apresentou déficit de R$ 14,7 bilhões em agosto.
Nos governos regionais, que reúnem estados e municípios, houve superávit de R$ 2,7 bilhões. As empresas estatais também registraram resultado positivo, de R$ 2 bilhões.
Considerando os 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 82,1 bilhões, equivalente a 0,62% do PIB.
Despesas com juros chegam a R$ 105,9 bilhões
Quando são considerados os juros da dívida, o resultado das contas públicas fica mais negativo.
Em agosto, os gastos com juros nominais somaram R$ 105,9 bilhões, acima dos R$ 74,3 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado.
Segundo o Banco Central, parte da diferença está relacionada ao resultado das operações de swap cambial. Em agosto de 2025, essas operações haviam gerado ganho de R$ 19,9 bilhões. Já em agosto deste ano, resultaram em uma perda de R$ 9,3 bilhões.
Nos 12 meses até agosto, as despesas com juros totalizaram R$ 1,182 trilhão, equivalente a 8,86% do PIB.
Com a inclusão dos juros, o resultado nominal do setor público apresentou déficit de R$ 115,9 bilhões em agosto. No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chegou a R$ 1,264 trilhão, ou 9,48% do PIB.
Dívida líquida chega a R$ 9,2 trilhões
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 9,2 trilhões em agosto, correspondente a 69,3% do PIB.
O indicador aumentou 0,1 ponto percentual no mês, influenciado principalmente pelos juros nominais e pelo resultado primário negativo.
Já a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB. O percentual representa uma alta de 0,3 ponto percentual em relação a julho.
De acordo com o Banco Central, o aumento da dívida bruta em agosto foi influenciado pela incorporação dos juros nominais e pelos efeitos da variação cambial.
No acumulado de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral registra aumento de 4,2 pontos percentuais do PIB.




