Polícia indicia vereador por estupro contra estagiária da Câmara de Urutaí
Vereador também perdeu o cargo de presidente da Câmara e foi expulso do MDB após a denúncia

A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o vereador Éder Pimenta, de 51 anos, pelo crime de estupro contra uma estagiária da Câmara Municipal de Urutaí. A investigação apontou que o parlamentar enganou a vítima com um falso pretexto profissional e a levou a um motel em Pires do Rio.
Um áudio gravado pela jovem no momento do crime foi decisivo para o indiciamento. Além de responder na esfera criminal, o político perdeu o cargo de presidente da Câmara e foi expulso do MDB após a repercussão do caso.
A apuração foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Pires do Rio, vinculada à 9ª Delegacia Regional, sob coordenação do delegado Elton Diogo Fonseca. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu no final de novembro de 2025, quando o então vereador atraiu a vítima com a promessa de um trabalho fotográfico externo.
Assim que chegaram no motel, a estagiária percebeu que havia sido enganada e passou a registrar discretamente os acontecimentos com o próprio celular. As gravações, somadas a outros elementos reunidos no inquérito, demonstraram que a vítima entrou em pânico e deixou claro, por diversas vezes, que não pretendia manter qualquer tipo de contato íntimo.
Mesmo diante das negativas, de acordo com a investigação, o parlamentar prosseguiu com as investidas, praticando atos que se enquadram no crime de estupro.
Com base no conjunto de provas, Éder Pimenta foi formalmente indiciado como incurso no artigo 213 do Código Penal, cuja pena prevista é de seis a dez anos de reclusão. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais cabíveis.
Expulsão do partido
Após a denúncia, o Diretório Estadual do MDB comunicou, em 3 de dezembro, a exclusão do vereador dos quadros do partido. Em nota, a sigla afirmou que repudia qualquer forma de violência contra mulheres e reiterou o compromisso com a ética, a integridade e o respeito às instituições, destacando que a decisão foi motivada pela gravidade das acusações e pelo material apresentado à polícia pela vítima.
Na sequência, no dia 12 de dezembro, a Câmara Municipal de Urutaí aprovou o afastamento cautelar do parlamentar e instaurou uma Comissão Processante. A informação foi confirmada pelo atual presidente da Casa, vereador Lindomar Veloso (Podemos).
Após a conclusão dos trabalhos da comissão, o vereador foi destituído do cargo de presidente da Câmara Municipal, por decisão unânime dos integrantes. Na época, a Câmara emitiu nota informando que a medida se baseou em conduta considerada manifestamente incompatível com a dignidade do cargo, com grave quebra de decoro parlamentar e violação aos princípios da moralidade e da probidade administrativa.





