MPGO pede reaplicação de provas de concurso em Catalão após encontrar possíveis irregularidades
Investigação aponta repetição de questões e uso de perguntas semelhantes às de outras bancas examinadoras

O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou a reaplicação de parte das provas do concurso público realizado em Catalão após identificar indícios de irregularidades no processo de elaboração das avaliações.
A medida foi tomada pela 5ª Promotoria de Justiça de Catalão, conduzida pela promotora Ariete Cristina Rodrigues Vale, no âmbito de um inquérito civil que investiga possíveis falhas capazes de comprometer a transparência e a igualdade do certame.
A recomendação foi encaminhada ao município de Catalão, ao Fundo Municipal de Saúde (FMS), à Câmara Municipal e à Fundação Aroeira, organizadora do concurso.
Entre os problemas apontados pelo Ministério Público está a reutilização de questões já aplicadas em concursos anteriores realizados no próprio município. Conforme as investigações, perguntas de conhecimentos gerais utilizadas em abril de 2026 no concurso do Fundo Municipal de Saúde já haviam aparecido em provas aplicadas anteriormente para concursos da Prefeitura e da Câmara Municipal, realizados em março deste ano.
Após admitir a falha, a Fundação Aroeira anulou cinco questões das provas destinadas aos cargos de nível médio. Entretanto, segundo o MPGO, as inconsistências podem ir além.
A apuração também identificou repetição de dez questões em provas destinadas aos cargos de nível fundamental.
Outro ponto destacado envolve a prova para o cargo de fisioterapeuta. De acordo com o Ministério Público, diversas questões de conhecimentos específicos apresentariam grande semelhança com perguntas já utilizadas por bancas conhecidas nacionalmente, como FGV, Cebraspe, IBFC, Instituto Verbena e Fundatec.
Para a promotoria, o reaproveitamento de questões fere princípios constitucionais da administração pública, como moralidade, impessoalidade, isonomia e igualdade entre os candidatos, principalmente porque houve participação de concorrentes nos diferentes concursos realizados em datas distintas.
Diante disso, o MPGO recomendou a suspensão da homologação final do concurso até que todas as irregularidades sejam analisadas e resolvidas.
Além da reaplicação das provas dos cargos afetados, o Ministério Público também orientou que as novas avaliações garantam ineditismo das questões e observem rigorosamente os princípios da legalidade, publicidade e eficiência.
Os órgãos envolvidos terão prazo de 10 dias para informar se irão cumprir as recomendações e apresentar as providências adotadas.





