Caminhoneiros ameaçam nova greve com alta do diesel e pressionam governo Lula
Categoria cobra fiscalização do frete e teme impacto da guerra no Oriente Médio; governo vê possível influência política nas ameaças de paralisação

A possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros no Brasil segue em aberto enquanto a categoria aguarda a publicação de uma medida provisória anunciada pelo governo federal. Segundo Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a decisão sobre uma paralisação nacional dependerá do conteúdo final das medidas prometidas pelo Ministério dos Transportes.
De acordo com Landim, o pacote anunciado pelo ministro Renan Filho atende parcialmente às reivindicações históricas da categoria, especialmente no que diz respeito ao chamado “travamento eletrônico” do frete — mecanismo que visa garantir o cumprimento do piso mínimo. Ainda assim, ele afirma que persistem preocupações relevantes, sobretudo em relação ao abastecimento de diesel, pressionado pela escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O aumento recente no preço do combustível é um dos principais motores da insatisfação. Dados apontam alta de até 18,86% no diesel desde o fim de fevereiro, impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional. Esse cenário elevou também o valor mínimo do frete, que, segundo caminhoneiros, continua sendo desrespeitado por parte das empresas.
Como resposta, o governo anunciou medidas mais rígidas de fiscalização. Entre elas, a possibilidade de suspender ou até cancelar o registro de empresas reincidentes no descumprimento da tabela de frete. Também está prevista a divulgação de uma lista pública com os principais infratores e o reforço do monitoramento eletrônico por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Atualmente, cerca de 20% das empresas do setor não cumprem o piso, segundo dados oficiais.
Apesar do avanço nas negociações, caminhoneiros defendem a criação de um gabinete de crise com participação do governo, do setor de transporte e do agronegócio para acompanhar a situação do abastecimento e evitar impactos maiores à economia.
Nos bastidores, integrantes do governo Lula avaliam que há influência política nas mobilizações, especialmente por parte de grupos ligados ao bolsonarismo, hipótese rejeitada por lideranças da categoria. Chorão afirma que o movimento não tem motivação partidária e está focado exclusivamente na sobrevivência econômica dos transportadores autônomos.
Enquanto o impasse persiste, cresce a preocupação com os efeitos de uma eventual paralisação sobre a inflação e o abastecimento no país, relembrando os impactos registrados em greves anteriores.




