Caiado anuncia projeto que reajusta em quase 70% as pensões das vítimas do césio-137; benefício atinge 603 pessoas
Valor sobe de R$ 1.908 para R$ 3.242 na categoria acima de 100 RAD e de R$ 954 para R$ 1.621 para os demais

O governador Ronaldo Caiado anunciou o envio à Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (16), do projeto de lei que reajusta em 69,92% os valores das pensões especiais vitalícias pagas às 603 vítimas do acidente radiológico com césio-137 ocorrido em Goiânia em setembro de 1987 – considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear.
A proposta prevê o aumento a partir de abril de 2026 nas duas categorias existentes:
- Para os afetados por radiação superior a 100 Doses Absorvidas de Radiação (RAD): o valor passa de R$ 1.908 para R$ 3.242 mensais.
- Para os demais acidentados: de R$ 954 para R$ 1.621 mensais.
Com o reajuste, o impacto orçamentário em 2026 será de R$ 3,6 milhões, e para 2027 e 2028, de R$ 4,9 milhões por ano.
Pelas redes sociais, Caiado e Gracinha classificaram a medida como questão de “respeito, justiça e cuidado com as vítimas”. “Essa tragédia marcou profundamente a história do nosso estado e a vida de muitas famílias que convivem, até hoje, com as consequências da contaminação”, afirmou o governador em vídeo publicado.
A primeira-dama e coordenadora do Goiás Social, Gracinha Caiado, destacou que as 603 vítimas também são assistidas pelo programa. “Nosso objetivo é garantir mais dignidade, segurança e reconhecimento para essas famílias”, disse.
O Governo de Goiás mantém assistência complementar às vítimas por meio do Centro Estadual de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves Ferreira (CARA) e planos de saúde suplementar do Ipasgo (Básico, Especial e Pleno+).
Caiado informou ainda que foi realizada uma ampla auditoria na relação de beneficiários, resultando na exclusão de pessoas que recebiam o benefício de forma irregular. “Foi necessário moralizar a lista e retirar gente que recebia pensão ilegalmente, sem ter sido afetado pelo acidente radiológico”, explicou, enfatizando transparência e justiça nos pagamentos.
Relembre o acidente
O acidente começou em setembro de 1987, quando um aparelho radiológico abandonado do Instituto Goiano de Radiologia foi desmontado. A cápsula contendo césio-137 foi vendida a um ferro-velho no setor Aeroporto, passando por várias mãos e contaminando dezenas de pessoas. Após a identificação da radiação pelas autoridades, os afetados passaram por protocolos rigorosos de descontaminação e tratamento médico.




