Senado

Senado deve votar PEC que propõe o fim da escala 6×1 nesta quarta-feira

Proposta prevê dois dias de descanso semanal, redução da jornada para 40 horas e manutenção dos salários; texto precisa ser aprovado em dois turnos no Senado.

O Senado Federal deve analisar nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê mudanças na jornada de trabalho no Brasil e o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias e tem um dia de descanso. A votação em primeiro turno foi marcada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

O texto prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e a diminuição da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas. A proposta estabelece ainda um período de transição de até 14 meses para a implementação das novas regras.

Ao anunciar a data, Alcolumbre afirmou que a inclusão da matéria na pauta atende ao compromisso de conduzir a discussão com responsabilidade, diálogo e respeito ao regimento do Senado.

Tramitação da proposta

A PEC foi aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos, em maio de 2026, e encaminhada ao Senado. Por se tratar de uma alteração constitucional, o texto precisa receber o apoio de pelo menos três quintos dos parlamentares, em dois turnos de votação em cada Casa legislativa.

No Senado, a proposta passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que aprovou o texto no início de setembro. A análise em plenário ficou pendente até o agendamento anunciado por Alcolumbre.

Caso os senadores aprovem mudanças no conteúdo da PEC, a proposta deverá retornar à Câmara dos Deputados para nova análise.

O que prevê a PEC do fim da escala 6×1

Entre as principais medidas previstas no texto estão:

  • Dois dias de descanso por semana: garantia de repouso semanal remunerado em dois dias.
  • Redução da jornada: diminuição do limite semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
  • Regra para trabalhadores com ensino superior: previsão de jornadas diferenciadas para profissionais com diploma de nível superior que recebam remuneração igual ou superior a R$ 21.188,87, desde que mantida a escala 5×2. Nesses casos, a duração do trabalho seria definida por negociação direta entre empregador e trabalhador.
  • Período de transição: implementação gradual das mudanças em até 14 meses, com regra diferenciada para trabalhadores terceirizados da administração pública.
  • Primeira etapa: 60 dias após a promulgação da emenda, as empresas deverão garantir a escala 5×2 e reduzir a jornada semanal para 42 horas.
  • Etapa final: 12 meses após a primeira redução, o limite semanal passará para 40 horas.

A proposta ainda depende da votação no Senado e do cumprimento das etapas previstas para uma emenda à Constituição antes de entrar em vigor.

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