Expedição Safra Goiás aponta queda de quase 29% na produção de milho e avanço do sorgo no campo
Levantamento do Sistema Faeg/Senar/Ifag destaca impacto do clima, aumento dos custos de produção e mudanças no planejamento das lavouras goianas

A segunda etapa da Expedição Safra Goiás 2025/26 revelou um cenário mais desafiador para os produtores rurais do estado. Dados divulgados nesta segunda-feira (22), pelo Sistema Faeg/Senar/Ifag, apontam queda na produção de milho segunda safra e crescimento da área destinada ao sorgo, que vem se consolidando como uma alternativa diante das adversidades enfrentadas no campo.
O levantamento percorreu mais de 2,4 mil quilômetros e avaliou lavouras em 19 municípios, abrangendo aproximadamente 77% da produção da segunda safra em Goiás. Entre os principais fatores que impactaram os resultados estão o atraso no plantio, a irregularidade das chuvas, o aumento dos custos de produção e as incertezas climáticas.
Segundo os dados apresentados, cerca de 43% das áreas de milho foram plantadas fora da janela considerada ideal, comprometendo o potencial produtivo da cultura. A estimativa é de que a área cultivada alcance 1,75 milhão de hectares, uma redução de 3,85% em comparação ao ciclo anterior.
A produtividade média do milho também deve registrar forte queda, passando para 86,4 sacas por hectare, retração de 26,1%. Com isso, a produção total está estimada em 9,03 milhões de toneladas, volume 28,9% menor do que o registrado na safra passada.
Além das questões climáticas, o setor enfrentou aumento expressivo nos custos de produção. De acordo com a Faeg, fertilizantes importantes para a atividade agrícola tiveram reajustes significativos nos primeiros meses do ano, pressionando ainda mais as margens dos produtores.

Sorgo ganha espaço nas propriedades
Entre as culturas avaliadas, o sorgo foi um dos destaques positivos da Expedição Safra. A produção estimada chega a 2,01 milhões de toneladas, impulsionada principalmente pela expansão da área cultivada, que alcançou 631,1 mil hectares — crescimento de 60% em relação à safra anterior.
O avanço da cultura está relacionado ao aumento das exportações, ao uso crescente na produção de etanol e à demanda da nutrição animal, tornando o sorgo uma alternativa cada vez mais presente no planejamento das propriedades rurais.
Girassol amplia área, mas perde produtividade
O girassol também vem ganhando espaço nas lavouras goianas como opção de diversificação. No entanto, a cultura registrou redução na produtividade em comparação à safra anterior.
Apesar da ampliação da área plantada, os técnicos apontam que aproximadamente metade das lavouras foi implantada fora da janela ideal, o que contribuiu para a queda no rendimento das plantas.
Clima preocupa produtores
Outro ponto destacado durante a apresentação dos resultados foi a irregularidade climática observada ao longo da safra. Segundo especialistas, houve grande variação no volume de chuvas entre regiões e até mesmo entre propriedades vizinhas, afetando diretamente o desempenho das culturas.
Além disso, eventos climáticos registrados em junho, como chuvas e ventos fortes, provocaram tombamento de lavouras em algumas áreas do estado, gerando prejuízos para produtores que ainda não realizaram a colheita.
Planejamento para a próxima safra
Diante do cenário, técnicos e representantes do setor defendem maior planejamento e adaptação dos sistemas produtivos para enfrentar os desafios climáticos e econômicos.
Entre as estratégias apontadas estão a diversificação das culturas e o aumento do uso de espécies mais resistentes ao déficit hídrico, como sorgo e girassol, especialmente na safrinha.
Os dados levantados pela Expedição Safra Goiás serão encaminhados ao poder público e servirão de base para a elaboração de políticas e ações voltadas ao fortalecimento da produção agrícola no estado. (Informações: Comunicação Sistema Faeg/Senar/Ifag)




