Enem 2026: interpretação de textos é fundamental na prova de Linguagens; veja dicas de professores
Especialistas recomendam resolver questões de edições anteriores, revisar conteúdos recorrentes e desenvolver estratégias de leitura para administrar o tempo durante o exame.

A interpretação de textos deve ser uma das principais prioridades dos estudantes que se preparam para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. A avaliação será aplicada no primeiro dia do exame, em 8 de novembro, e exige dos candidatos a capacidade de compreender diferentes gêneros textuais, identificar informações e relacionar conteúdos aos contextos apresentados.
Com a proximidade da prova, professores recomendam concentrar os estudos na resolução de questões de edições anteriores e na revisão de conteúdos que aparecem com frequência no exame.
Segundo o professor Eduardo Calbucci, a matriz de referência do Enem permanece a mesma desde 2009, o que permite identificar padrões nas habilidades avaliadas. Por isso, analisar provas anteriores pode ajudar os estudantes a compreender a estrutura das questões e os tipos de interpretação exigidos.
O professor Eli Carlos Guimarães também destaca a importância da leitura. De acordo com ele, mais de um terço das questões costuma envolver a análise de gêneros textuais, como charges, artigos de opinião, resenhas, músicas e publicações digitais, além de conhecimentos sobre variação linguística e funções da linguagem.
Ler o comando da questão pode ajudar a economizar tempo
Um dos desafios da prova de Linguagens é a quantidade de textos que os candidatos precisam analisar. Para evitar releituras desnecessárias, a recomendação é observar primeiro o enunciado da questão e identificar exatamente o que está sendo solicitado.
Segundo Eli Carlos Guimarães, essa estratégia permite direcionar a leitura para as informações relevantes e administrar melhor o tempo disponível.
Na reta final de preparação, o professor orienta a revisão de funções da linguagem, variação linguística e coesão textual. Entre os pontos que merecem atenção estão os conectivos, como “contudo”, “portanto” e “embora”, utilizados para estabelecer relações de sentido entre palavras, frases e parágrafos.
Literatura exige conhecimento do contexto histórico
Na parte de Literatura, a orientação é compreender as relações entre as obras, os movimentos literários e os períodos históricos em que foram produzidas.
O Modernismo brasileiro está entre os conteúdos indicados para revisão, especialmente suas duas primeiras fases e a Semana de Arte Moderna de 1922. Também merecem atenção autores como Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e Cecília Meireles.
Outros temas recomendados são o Realismo, com destaque para Machado de Assis, o Romantismo e a literatura contemporânea.
Nesse último grupo, os estudantes devem observar produções que abordam questões sociais, culturais e identitárias, incluindo obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e autores da literatura indígena.
Inglês e Espanhol cobram compreensão do contexto
Nas questões de língua estrangeira, a interpretação também tem papel central. O professor Tiago Gentil explica que, em Inglês, os candidatos precisam compreender não apenas textos escritos, mas também a relação entre imagens, diagramas e situações do cotidiano.
A recomendação é identificar a mensagem principal e considerar o contexto da comunicação, sem depender exclusivamente da tradução de todas as palavras. O professor também chama a atenção para a presença de poemas em edições recentes do exame.
Em Espanhol, um dos principais cuidados envolve os falsos cognatos, palavras semelhantes às do português, mas que apresentam significados diferentes.
O professor Júlio Manuel Sanchez Tello cita como exemplo a palavra espanhola “exquisito”, que significa algo requintado ou delicioso, diferentemente do sentido de “esquisito” em português.
Segundo ele, as questões de Espanhol priorizam a compreensão dos textos, enquanto conteúdos gramaticais, como sinônimos, antônimos e estruturas sintáticas, costumam aparecer associados ao contexto.
Como se preparar na reta final
A recomendação dos professores é utilizar as semanas anteriores ao Enem para reforçar as habilidades de interpretação, em vez de concentrar os estudos apenas na memorização de conteúdos.
Resolver provas anteriores, analisar os erros, identificar o objetivo de cada questão e revisar os assuntos mais recorrentes são estratégias que podem contribuir para o desempenho.
Também é importante praticar a leitura de diferentes formatos de texto e controlar o tempo gasto em cada exercício, já que a prova exige atenção e capacidade de interpretação ao longo de várias questões.



