Saúde

Câncer de mama em homens é diagnosticado com maior frequência em estágios avançados

Levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia identificou 2.126 casos masculinos entre 2020 e 2023; especialistas alertam para a importância de reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico.

Embora seja mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também atinge homens e, muitas vezes, é identificado quando a doença já está em estágio avançado. O alerta foi feito pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) durante a campanha Outubro Rosa, que busca ampliar a conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce.

Um levantamento da entidade, com base nos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), contabilizou mais de 163 mil registros da doença entre 2020 e 2023. Desse total, 2.126 eram de pacientes do sexo masculino.

Estágios avançados concentram a maioria dos diagnósticos

Os dados analisados pela SBRT mostram que 62,29% dos casos masculinos com estadiamento registrado estavam nos estágios III ou IV. Entre as mulheres, a proporção foi de 61,57%.

A diferença aparece principalmente nos diagnósticos em estágio IV, quando a doença apresenta metástase. Essa condição foi registrada em 29,95% dos casos entre homens, contra 26,42% entre mulheres.

No estágio I, considerado uma fase inicial da doença invasiva, os percentuais foram de 3,41% entre homens e 5,45% entre mulheres.

Segundo especialistas da SBRT, a falta de informação sobre a possibilidade de desenvolvimento do câncer de mama masculino contribui para a demora na procura por atendimento. Como os homens têm menos tecido mamário, o tumor também pode alcançar estruturas próximas, como a pele e os músculos do tórax.

Sinais que precisam de atenção

A rádio-oncologista Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT, orienta que alterações na região das mamas sejam investigadas, independentemente do sexo.

Entre os sinais de alerta estão:

  • Caroço na mama ou na região próxima;
  • Alterações no mamilo;
  • Saída de secreção pelo mamilo, especialmente quando há presença de sangue.

O câncer de mama masculino representa menos de 1% dos casos da doença. Entre os fatores que podem elevar o risco estão mutações genéticas hereditárias, histórico familiar, obesidade e alterações hormonais.

A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas deve motivar uma avaliação médica para esclarecer a causa.

Tratamento depende das características do tumor

De acordo com a SBRT, a cirurgia costuma ser a principal abordagem quando a doença está localizada. Conforme o estágio e as características do tumor, o tratamento pode incluir terapia hormonal, quimioterapia e radioterapia.

A radioterapia pode ser indicada após a cirurgia para reduzir o risco de recorrência na região tratada. A escolha do tratamento depende da avaliação individual de cada paciente.

A sobrevida também está relacionada ao estágio em que a doença é identificada, às características do tumor e à resposta ao tratamento. Segundo Denise Ferreira, a sobrevida relativa em cinco anos entre homens com câncer de mama supera 80% e pode ultrapassar 95% quando o tumor está restrito à mama.

Os números reforçam a importância de reconhecer os sintomas e buscar atendimento o quanto antes, aumentando as possibilidades de diagnóstico em fases iniciais.

Dados também apontam desafios no diagnóstico entre mulheres jovens

Outro levantamento, realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) com dados dos Registros Hospitalares de Câncer, analisou quase 118 mil mulheres diagnosticadas entre 2020 e 2023.

Entre as pacientes com até 39 anos, 14,4% receberam o diagnóstico nos estágios 0 ou I, enquanto 85,6% estavam nos estágios II, III ou IV. A entidade ressalta que a inclusão do estágio II nesse grupo não significa que todos esses casos sejam necessariamente considerados avançados.

Para mulheres sem fatores de risco elevados conhecidos, as sociedades médicas brasileiras recomendam o rastreamento por mamografia a partir dos 40 anos. Já aquelas com alterações genéticas hereditárias específicas ou histórico familiar relevante podem precisar de acompanhamento individualizado e exames iniciados mais cedo, conforme avaliação médica.

O cirurgião oncológico e mastologista Juliano Rodrigues Cunha, diretor de comunicação da SBCO, destaca que alterações persistentes nas mamas devem ser investigadas mesmo antes da idade recomendada para o início do rastreamento de rotina.

A orientação vale para homens e mulheres: perceber mudanças no corpo e procurar avaliação profissional são medidas importantes para identificar a doença e definir o tratamento adequado.

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