Queimadas deixam quase 60 mil clientes sem energia em Goiás; Equatorial reforça ações preventivas
Número de consumidores afetados aumentou 21% em um ano, apesar da redução nas ocorrências; Goiânia lidera os registros de interrupções provocadas por incêndios

As queimadas continuam entre as principais causas de interrupções no fornecimento de energia elétrica em Goiás. Levantamento da Equatorial Goiás mostra que, embora o número de ocorrências provocadas por incêndios tenha diminuído em 2025, a quantidade de consumidores afetados aumentou devido ao avanço das queimadas sobre áreas mais urbanizadas e com maior concentração de moradores.
Segundo a distribuidora, cerca de 60 mil clientes tiveram o fornecimento de energia interrompido por causa de incêndios em 2025, um crescimento de aproximadamente 21% em relação ao ano anterior, quando cerca de 49 mil consumidores foram impactados.
Por outro lado, o número de ocorrências caiu de aproximadamente 700 registros em 2024 para pouco mais de 380 em 2025, uma redução de 44,8%. De acordo com a Equatorial, o resultado reflete tanto as ações preventivas desenvolvidas pela concessionária quanto as condições climáticas registradas no período, com diminuição da seca severa em Goiás, conforme dados do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas (ANA).
Fumaça é uma das principais causas das interrupções
Ao contrário do que muitos imaginam, o desligamento da energia nem sempre acontece quando o fogo atinge diretamente postes ou cabos. A Equatorial explica que a fumaça carregada de fuligem representa um dos maiores riscos para o sistema elétrico.
O ar aquecido pelas queimadas cria um ambiente favorável à condução de eletricidade ao redor da rede de média e alta tensão, provocando curtos-circuitos e acionando automaticamente os sistemas de proteção, que interrompem o fornecimento de energia para evitar acidentes e danos maiores.
Para o gerente do Centro de Operações Integradas (COI) da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, os impactos das queimadas vão muito além da área atingida pelo fogo. “Uma queimada nunca é um fato isolado. Quando o fogo atinge a vegetação sob as nossas linhas de distribuição, o impacto se estende por quilômetros, interrompendo serviços essenciais em hospitais, comércios e residências. Combater os focos de incêndio e conscientizar a população é fundamental para garantir a estabilidade do sistema elétrico”, afirmou.
Monitoramento climático auxilia prevenção
A concessionária também trabalha em parceria com o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), utilizando o chamado fator 30,30,30, que monitora simultaneamente:
- temperatura acima de 30°C;
- umidade relativa do ar abaixo de 30%;
- ventos superiores a 30 km/h.
Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, a combinação desses fatores permite identificar as regiões com maior risco de queimadas e direcionar ações preventivas juntamente com órgãos de segurança e o Corpo de Bombeiros.
Goiânia lidera ocorrências em 2025
O levantamento da Equatorial também mostra mudanças nas regiões mais afetadas pelas queimadas.
Enquanto Itumbiara liderava os registros em 2024, o cenário mudou em 2025, com maior concentração de ocorrências em municípios mais populosos.
As cidades com maior número de interrupções foram:
- Goiânia – 55 ocorrências e mais de 13 mil clientes afetados;
- Luziânia – 26 ocorrências;
- Catalão – 19 ocorrências;
- Senador Canedo – 19 ocorrências;
- Cristianópolis – 19 ocorrências.
Ações preventivas
Para reduzir os impactos das queimadas sobre a rede elétrica, a Equatorial intensificou os investimentos em manutenção preventiva.
Entre 2024 e 2025 foram realizados:
- 3.309 hectares de abertura e manutenção de faixas de segurança em 2024;
- 2.731 hectares em 2025;
- aproximadamente 98 mil ações de livramento de rede em 2024;
- cerca de 80 mil ações em 2025.
As intervenções consistem na limpeza da vegetação próxima à rede elétrica, reduzindo o risco de contato com os cabos e dificultando a propagação do fogo.
Segundo a distribuidora, o trabalho preventivo, aliado ao monitoramento contínuo e à rápida atuação das equipes de campo, busca minimizar os desligamentos provocados pelas queimadas e garantir maior segurança ao sistema elétrico durante o período de estiagem.



