Política

Caiado diz que impeachment de ministros do STF “vai acontecer” se chegar à Presidência

Ex-governador de Goiás afirma que Corte precisa afastar ministros alvo de denúncias para preservar imparcialidade institucional

O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado afirmou nesta segunda-feira (25) que um eventual processo de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal poderá ocorrer caso ele seja eleito presidente da República.

Durante participação em encontro promovido pela Amcham Brasil, Caiado declarou que não gostaria de levar adiante esse tipo de medida, mas avaliou que o cenário institucional pode tornar o impeachment inevitável.

Segundo o ex-governador de Goiás, o STF foi “gravemente atingido” por episódios envolvendo questões pessoais de integrantes da Corte. Ele defendeu que ministros citados em denúncias deveriam se afastar temporariamente para preservar a credibilidade do tribunal.

“As pessoas que são atingidas com denúncias sobre a sua trajetória de vida deveriam ser afastadas para que respondessem”, afirmou Caiado. “Aí, sim, o Supremo guardaria a sua condição de imparcialidade nos julgamentos de temas relevantes.”

As declarações ocorreram em meio a discussões envolvendo suspeitas relacionadas ao Banco Master, que incluem transações financeiras atribuídas a familiares de ministros do STF. Entre os casos citados estão valores ligados ao escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e negócios envolvendo familiares do ministro Dias Toffoli.

Caiado afirmou que, na sua avaliação, o Supremo deveria agir internamente antes que a crise evoluísse para um processo político no Senado Federal.

“É algo que eu não queria, mas que vai acontecer, que vai ser a segunda etapa. Se o Supremo não tomar essa decisão, qual é o segundo passo? O impeachment”, declarou.

O ex-governador também argumentou que o rito para impeachment de ministros do STF seria mais rápido do que o aplicado a presidentes da República, por tramitar exclusivamente no Senado. Apesar disso, reconheceu que o processo poderia ampliar a tensão institucional no país.

Na avaliação de Caiado, o momento exige que o próprio Supremo demonstre capacidade de preservar sua imagem institucional. “O STF precisa cortar na própria carne”, afirmou durante o encontro com empresários.

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