Nem só Lula, nem só Bolsonaro: o Brasil precisa olhar além do binarismo
A democracia não cabe em apenas dois nomes

A política brasileira virou refém de um binarismo pobre. De um lado, Lula. Do outro, Bolsonaro. No meio disso, um país inteiro tratado como se não houvesse mais ninguém capaz de governar. Como se o Brasil tivesse sido reduzido a dois nomes, duas biografias e dois medos.
Esse empobrecimento do debate não é casual. Ele interessa aos dois polos, que sobrevivem da lógica do confronto permanente. Funciona assim: não importa errar, desde que o outro seja apresentado como uma ameaça maior. O eleitor deixa de escolher e passa apenas a reagir. Vota por medo, não por convicção.
E isso é muito pouco para um país do tamanho do Brasil.
Hoje, especialmente na direita e na centro-direita, existe uma quantidade inédita de nomes competitivos, com experiência administrativa, aprovação popular e histórico de gestão. O PSD, por exemplo, concentra três governadores bem avaliados, com perfis distintos e capacidade real de diálogo nacional: Ronaldo Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite.
Entre eles, Caiado ocupa uma posição singular. De forma recorrente, aparece como o governador mais bem avaliado do país. Não virou fenômeno de rede social, não construiu imagem baseada em conflito permanente, não governa por frases de efeito. Governou. Entregou resultados. Construiu autoridade política real.
Na segurança pública, Goiás deixou de ser sinônimo de descontrole. Na gestão fiscal, o Estado se organizou sem trauma social. Na política, Caiado é respeitado até por adversários — algo raro no Brasil atual, onde a lógica do inimigo substituiu a do debate.
Ratinho Junior segue um caminho mais silencioso, quase sem barulho, mas consistente: alta aprovação, poucas crises e discurso pragmático. Eduardo Leite representa uma vertente mais liberal e institucional, dialogando com setores urbanos, empresariais e com um eleitor que já cansou da política baseada em gritos.
Três estilos. Três projetos. Três possibilidades reais de país.
Há ainda Romeu Zema, que construiu uma narrativa própria baseada em eficiência administrativa, discurso liberal e gestão enxuta. Fala diretamente com um eleitor que não quer mais promessa, mas resultado: contas em dia, serviços funcionando e um Estado que não atrapalhe.
Tarcísio de Freitas, que poderia ser uma alternativa nacional relevante, fez uma escolha política clara ao se alinhar ao campo bolsonarista. Continua sendo um nome forte, mas muda de papel: deixa de ser alternativa ao bolsonarismo para se tornar parte dele.
Sobre Lula e Bolsonaro, é preciso fazer uma distinção honesta. Não se trata de negá-los ou apagá-los do debate. Eles existem, têm base social, votos e representam parcelas reais da sociedade. Isso é democracia.
O problema não é a existência do lulismo e do bolsonarismo. O problema é o país agir como se só eles existissem. Como se a política nacional estivesse condenada a girar eternamente em torno das mesmas figuras, dos mesmos discursos e das mesmas brigas.
Quando a política se reduz a dois polos fixos, o debate empobrece. As alternativas morrem antes de nascer. O eleitor deixa de escolher e passa apenas a se defender do “outro”. Vota com raiva, não com projeto. Com medo, não com expectativa.
Uma democracia saudável não elimina lideranças fortes. Mas também não se ajoelha diante delas. Ela cria, testa, compara, substitui e renova.
O Brasil não precisa negar Lula nem Bolsonaro. Precisa, isso sim, parar de se limitar a eles. Precisa reaprender a olhar fora desse ringue. Precisa voltar a fazer uma pergunta simples, quase esquecida na política brasileira: quem governa melhor?
Enquanto essa pergunta não voltar ao centro do debate, seguiremos presos a uma política emocional, previsível, pobre em ideias — e cada vez menos capaz de transformar o país de verdade.




