Janeiro Branco inicia 2026 com foco no cuidado e na urgência da saúde mental
Dados mostram que 26,8% dos brasileiros possuem diagnóstico de ansiedade, País enfrenta desafios estruturais no cuidado com a saúde mental

O ano de 2026 já começa com uma campanha sobre um tema de relevância para a sociedade. A campanha do “Janeiro Branco” traz luz para os cuidados com a saúde mental no Brasil e, neste ano, traz o tema “Paz, Equilíbrio e Saúde Mental”, para focar em questões de bem-estar emocional, importância do autocuidado, de responsabilidades institucionais e de políticas públicas para a saúde mental.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde(OMS), o Brasil é o País mais ansioso do mundo e o segundo mais deprimido das Américas. No ano de 2019, segundo a organização, quase 10% da população do País convivia com ansiedade, esse número representa aproximadamente 18 milhões de pessoas.
O Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia (Covitel), realizado em 2023, mostrou que 26,8% dos brasileiros apresentam diagnóstico de ansiedade.
Além disso, segundo a Covitel, a região Centro-Oeste lidera o ranking de diagnósticos de ansiedade, com 32,2%, seguido da região Sul com 30%.
A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)em 2023, apontou que em Goiás, 45,5% dos municípios possuem políticas ou programas de atendimento à pessoa com transtorno mental.
Os dados sobre a quantidade de casos e diagnósticos de transtornos mentais no Brasil, mostra uma realidade preocupante.
A psicóloga clínica, Kelyane Olanda, explica que a população brasileira vive em um contexto de insegurança financeira, insegurança no trabalho, insegurança nas relações e insegurança física, colaborando para um estado de alerta constante e causando uma forte ansiedade.
“As pessoas que vivem sob pressão crônica, com pouco acesso a lazer, descanso e cuidado, têm claramente muito menos recursos emocionais para lidar com frustrações, aumentando o risco tanto de ansiedade quanto de depressão”, acrescenta.
Nesse sentido, Olanda entende que os principais motivos para essa realidade no Brasil são “fatores socioeconômicos, políticos, desigualdade social, impactos da pandemia de Covid 19 e a fragilidade das políticas de saúde mental”.
Impacto da saúde mental na vida cotidiana
Em 2024, o Ministério da Previdência Social (MPS) registrou 472 mil afastamentos dos postos de trabalho por questões de saúde mental. Esse dado influenciou diretamente a mudança da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que a partir de 2025 começou a incluir “riscos psicossociais” no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas.
Os dados mostram que mudanças são necessárias para lidar com esse problema que não impacta apenas a vida pessoal, mas está chegando aos ambientes de trabalho.
Nesse sentido, a psicóloga explica que a falta de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, especialmente após a hiperconectividade, onde se pode trabalhar de qualquer lugar, potencializa ainda mais casos de depressão, ansiedade e burnout no ambiente de trabalho.
Por isso, na visão da especialista, o cuidado com a saúde mental precisa deixar de ser algo eventual e passar a ser parte do cotidiano. Ela traz alguns hábitos que podem ajudar no controle do estresse no dia a dia, como estabelecer pausas ao longo do dia.
Esse preconceito pode intensificar os sintomas e ainda gerar casos de medicalização isolada, sem acompanhamento psicológico, ou o oposto: a negação total do cuidado.
O cuidado da saúde mental não deve ser visto como algo difícil ou desnecessário, já que causa danos tão graves quanto doenças físicas.
Além disso, os governos disponibilizam formas de tratamento na rede pública de saúde, por meio do Sistema Unificado de Saúde (SUS). Na visão de Olanda, o poder público precisa trabalhar na prevenção, no cuidado e na proteção social das pessoas afetadas.





