Como cultivar o equilíbrio mental em tempos de rotina acelerada
Psicóloga comenta dos motivos do aumento da busca por terapias e dá dicas para a saúde mental

De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, houve um aumento de mais de 30% na procura por atendimentos psicológicos no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos três anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também acende o alerta: cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo convivem com algum transtorno mental, sendo a depressão e a ansiedade os mais prevalentes. No Brasil, os números refletem uma realidade desafiadora, o país ocupa o primeiro lugar na América Latina em prevalência de transtornos de ansiedade.
Neste Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, a psicóloga Fernanda César Milmes, analisa esse aumento na procura por psicoterapia. “Esse movimento não significa necessariamente que as pessoas estejam mais adoecidas, mas também que existe hoje uma maior abertura para reconhecer o sofrimento psíquico e buscar cuidado. A psicologia passou a ocupar um espaço mais presente na compreensão da saúde mental, do autoconhecimento e das relações”.
De acordo com a especialista, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, esse crescimento também está relacionado ao modo como vivemos. “A rotina acelerada, a cobrança por produtividade, as dificuldades nos relacionamentos, a sobrecarga e a sensação constante de precisar ‘dar conta de tudo’ podem gerar impactos importantes na saúde emocional”, afirma. “Talvez o grande desafio da saúde mental atualmente seja que aprendemos a estar disponíveis para tudo, menos para nós mesmos”, completa.
Segundo a psicóloga, as redes sociais fazem parte desse contexto. “Elas não são, por si só, responsáveis pelo sofrimento psíquico, mas podem intensificá-lo ao favorecer comparações, excesso de informações, busca por validação e uma percepção distorcida de que todos estão vivendo vidas melhores ou mais felizes. Estamos cada vez mais conectados, mas isso não significa necessariamente que estamos mais próximos”, ressalta.
Dicas
Fernanda César Milmes destaca que em uma sociedade que exige cada vez mais velocidade, aprender a parar, escutar-se e reconhecer os próprios limites também é uma forma de resistência e cuidado. “Cuidar da saúde mental não é eliminar os problemas, mas desenvolver recursos para atravessá-los sem perder de vista quem somos e aquilo que precisamos”, avalia. Ela elenca a seguir dicas para manter a saúde mental saudável nos tempos atuais:
- Respeitar os próprios limites: compreender que não precisamos dar conta de tudo o tempo todo.
- Construir uma rotina equilibrada: sono, alimentação, atividade física, lazer e descanso também são formas de cuidado psicológico.
- Observar o impacto das redes sociais: perceber como determinados conteúdos influenciam nossos pensamentos e emoções.
- Valorizar os vínculos: relações saudáveis e espaços de pertencimento funcionam como importantes fatores de proteção.
- Permitir-se sentir: saúde mental não significa estar bem o tempo inteiro, mas conseguir reconhecer e elaborar aquilo que sentimos.
- Buscar ajuda quando necessário: a psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento, elaboração e construção de novas formas de lidar com a vida.




